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 Cão Como Nós, de Manuel Alegre. 

Neste livro encontramos o amor humano do autor e família, que se conjuga com o sentir de emoções pelo cão, Kuricas, que os aceita todos com a sua forma de amar. Não liga a regras; quer ser ele próprio. Existir pela diferença. Todos se ligam a ele com Amor fraternal. Todo o livro nos transporta a momentos em que sorrimos, outros entristecemos. Por vezes fica a sensação que nos quer dizer algo, apenas com o olhar.  Outras vezes fica perdido nos seus pensamentos, não ligando aos membros da família. Estaria zangado? Também ele tem  direito a ter momentos menos propensos à brincadeira, ou ficar apenas com seus pensamentos. A sua morte deixa um vazio. Um vazio de espaço e na alma. É uma despedida abrupta. A morte é sempre uma despedida sem volta. Ficam recordações, que amortalhamos em nós próprios. Somos túmulos de silêncios...

O mais importante é saber que estamos prontos para amar e cuidar de um animal; seja cão, gato ou outro. A responsabilidade é a mesma. Ao aceitarmos um animal em casa, sabemos que tudo muda. O nosso tempo tem de ter incluído, um tempo, para desfrutar da sua companhia e vice-versa. Ao meu cão Sandy, um eterno olhar de despedida... 


Cecília Pedro   

Comentários

Um livro é feito de várias coisas. Entre outras, do tempo em que foi escrito. E dura sempre também pelo menos o tempo que esse tempo durar. Não me recordo já ao certo quando li a “Praça da Canção”, que julgo ser o primeiro livro de Manuel Alegre (MA). Li e datilografei com a ajuda de uma daquelas antigas – hoje; modernas na altura – máquinas de escrever que havia em casa dos meus pais. Na altura em que me chegou às mãos, certamente por empréstimo de algum jovem conspirador, o livro encontrava-se já fora do mercado e apreendido pela censura/PIDE. Eram tempos de juventude e lembro-me de o ter lido com todos os cuidados conspirativos, como se se tratasse de um perigoso e subversivo manifesto político. E era. Nunca o entendi como de poesia. Ou então transportava apenas a poesia que está sempre presente em tudo o que é a aventura do novo. E era. O momento inicial – uma espécie de big-bang.
Da mesma forma que o tempo inicial se foi estreitando até Einstein – que não era poeta – descobrir que afinal já não havia tempo, era tudo espaço, também eu, quando mais tarde regressei a MA – “Cão como nós”, ou outro – percebi que já não havia "momento inicial". E um poeta tem que ser capaz de regressar sempre a um qualquer “momento inicial”.

nelson
Quinteiro disse…
Nunca li nada na íntegra do Manuel Alegre. Li alguns poemas (muitos talvez, não sei) aqui e ali, canções, nesta ou naquela publicação. Nunca foi um dos meus poetas de eleição. Talvez por ter na vida e na poesia aquela pose solene que me deixa sempre um pouco desconcertado, sem saber como reagir. E então, faço o mais fácil: passo.

É no entanto, indubitavelmente, uma das figuras do Portugal do séc. XX. Poeta, combatente antifascista, lutador pelos ideais democráticos.

Gostei que a Cecília o tivesse trazido aqui.

Quinteiro

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