Avançar para o conteúdo principal

 


Por Razões de Agenda

      

       Vale a pena voltar à Breve História do Progresso. Razões de agenda assim o recomendam. Que é como quem diz: razões de urgência. Hoje, tudo acontece mais depressa. Fazer crescer a população do planeta em 200 milhões, depois de Roma, levou 13 séculos; o crescimento dos últimos 200 milhões levou apenas três anos – lembra Ronald Wright. Suméria, Ilha de Páscoa, Roma e os Maias, com o ritmo de destruição dos recursos naturais de que dispunham, e as técnicas que dominavam, duraram mil anos cada. Mantendo o modelo de vida que levamos, num mundo caracterizado pela incerteza, há uma certeza que podemos ter: não chegaremos aos mil anos de existência pós-revolução industrial.

       Em matéria de agenda, lembrava o autor em 2004:

“(…) Há 12 anos, mesmo antes da cimeira ambiental do Rio de Janeiro, que levou au acordo de Kioto sobre as mudanças climáticas, mais de metade dos prémios Nobel do mundo avisaram que poderemos só ter mais ou menos uma década para tornar o nosso sistema sustentável. Agora, num relatório que a administração não conseguiu esconder, o Pentágono prevê fome mundial, anarquia e guerra “dentro de uma geração” se as mudanças climáticas atingirem as piores projeções. No seu livro de 2003, Our Final Century, Martin Rees, da Universidade de Cambridge, Astrónomo Real e antigo presidente da Sociedade Inglesa para o Avanço da Ciência, conclui: “As hipóteses não são melhores do que 50% de que a nossa presente civilização … sobreviva até ao fim deste século … a não ser que todas as nações adotem políticas sustentáveis de baixo risco, baseadas nas tecnologias atuais.”

       (…) Os cépticos dizem que as anteriores previsões de desastre não se realizaram. Mas trata-se de um paraíso de loucos. Algumas das situações de que escapamos – da guerra nuclear, por exemplo – foi mais por sorte do que por ter consciência da situação, e não são definitivas. (…)”

       Finalmente, muito embora algumas considerações ambíguas relativamente ao modelo de economia capitalista, que referi no texto anterior, Wright não se escusa a reconhecer que:

“(…) A revolta contra a redistribuição está a matar a civilização, desde o gueto à floresta tropical. Na maioria dos países, os impostos não foram de facto reduzidos; foram simplesmente mudados para a parte inferior da pirâmide dos rendimentos, e mudados dos programas sociais e de ajuda, para os militares e as empresas. (…)” (Onde é que eu já vi isto? …)

       Termino com o título da crónica da Luísa Semedo no jornal Público do passado dia 17 de Novembro de 2022: “A Revolução Não Será Fofinha”.

nelson anjos

Comentários

Mensagens populares deste blogue

  Os professores portugueses não sabem ensinar Ricardo Araújo Pereira Expresso – 20 janeiro 2023     Enquanto professora não tenho outro remédio senão concordar com as sábias palavras do Ricardo Araújo Pereira. Assim, o que aqui se propõe é o documento MUSAI – Medidas Universais de Suporte à Aprendizagem e Inclusão, para o aluno João Costa. Peca por tardio, mas, uma vez que nos dias que correm, é praticamente impossível reter alunos (vulgo «chumbar»), consideremos que este aluno se encontra ao nível de um primeiro ciclo do ensino básico. Segue-se o documento:   Rita Anjos           Ano Letivo 2022 / 2023 Monitorização e Avaliação da eficácia das MEDIDAS UNIVERSAIS DE SUPORTE À APRENDIZAGEM E INCLUSÃO - MUSAI (Artigo 20.º do Decreto-lei n.º 54/2018, de 6 de julho)   Nome ...
 Hoje, como outros dias e momentos, surgem na mente todos os idosos espalhados pelos lares de Portugal e não só. Fazer comparações? Só quem tenha trabalhado fora do país nos mesmos e tendo regressado a casa, ou seja Portugal, tenha continuado a exercer as mesmas funções. Assim poderá opinar sobre a complexidade desta matéria: os idosos! Já não basta serem empurrados para o confinamento entre quatro paredes, chega o confinamento de uma pandemia chamada covid-19, que os condiciona a uma existência sem 'vida', sem alternativa para outras saídas. As famílias, em geral, já não têm tempo para deles cuidar; cansados por um dia de trabalho, a correria para ir buscar os filhos à escola ou a outras actividades, seguido de outros afazeres domésticos, já não tem paciência ou disposição para cuidar dos seus idosos. No entanto, ainda há quem tenha essa responsabilidade, e custe o que custar, cuidam dos mesmos. Estaremos a ser egoístas?  Estamos a afastar do nosso convívio pessoas com sabedo...
  Prosperidade Sem Crescimento   “(…) A sociedade defronta-se com um dilema profundo. Resistir ao crescimento é arriscar o colapso económico e social. Persegui-lo incessantemente é pôr em perigo os ecossistemas de que depende a nossa sobrevivência a longo prazo. (…)”        Começa assim o capítulo XII do livro de Tim Jackson, Prosperidade Sem Crescimento – Economia Para um Planeta Finito .        Um New Deal Verde – uma réplica do programa gizado para fazer face à Grande Depressão dos anos 30, do século passado, baseado nos princípios defendidos por Keynes, agora pintados de verde – foi o coelho que ocorreu aos economistas tirar da cartola para fazer face à crise de 2008. Mas desde logo a contradição foi evidente: o crescimento verde … não é verde. Porque continua a ser um modelo de economia assente no crescimento ilimitado, para vigorar num espaço limitado: o planeta Terra.      ...