OLGA, EU e as VIAGENS
(Europa - circa 1750)
Há dias, quando acordei a pensar sobre o que haveria de
escrever, dei com os olhos no livro que acabara ler e que tanto me fascinara.
Chama-se simplesmente “Viagens “e foi escrito por uma senhora polaca de nome
Olga Tokarzuc, premio nobel de literatura
O meu primeiro encontro com Olga aconteceu com a leitura de
“Conduz o teu arado sobre os ossos dos mortos”. Apesar deste título tão
arrevesado, gostei do livro logo a partir das primeiras páginas: bem escrito e
ao mesmo tempo de leitura leve mas que agarra o leitor. Nele há mistério q.b.,
personagens interessantes e um desfecho inesperado.
Não sosseguei enquanto não comprei este “Viagens”. Aqui as
histórias sucedem-se e pessoas e coisas movem-se com destinos e fins diversos,
sendo uma das mais curiosas a que relata como o coração de Chopin foi levado,
após a sua morte, de Paris para Varsóvia pela irmã.
Mas foram os apontamentos escritos, pelo que depreendo, nos
aviões, aeroportos e hotéis perdidos pelo mundo que mais mexeram comigo. Foi com
eles que o meu gosto (quase vício) pelas viagens veio ao de cima e fiz aquilo
que a pandemia este ano não me tem deixado fazer: viajei em múltiplas direções,
percorri milhas imaginárias, aterrei em lugares diferentes... É isto o que o
mundo dos livros nos faz: podemos voar sem sair do lugar!
Neste tempo difícil em que a pandemia transformou as vidas
que conhecíamos e tornou difícil, ou quase impossível, o simples estar com os
demais, em que muitos dos momentos das nossas distrações foram banidos, em que
deixámos de poder cantar e dançar com os amigos em nome da nossa e da segurança
de todos, cá estão eles, OS LIVROS, a fazerem-nos eterna companhia.
(N: Esta ilustração é uma das várias contidas no livro de
que vos falo. Divirtam-se a localizarem-se pois eu não faço a mínima ideia de
que parte da europa representa).

Comentários
nelson anjos
Não sou viciado mas também gosto muito de viajar. E, como diz o Nelson, as melhores viagens, as que nos ficam para sempre na memória, são aquelas que nos trazem novidade, qualquer coisa de exploração. Não são os banais percursos turísticos que meio mundo faz e em que se vê e ouve, come e bebe, se cheira, ou resumindo, se sente o mesmo que em qualquer parte do mundo. Deste mundo globalizado cada vez menos interessante, em certas ocasiões mesmo entediante. Viajar é deriva, é aventura.
Se bem que, o simples facto de se estar num qualquer terminal de aeroporto e de repente pisar outra parte do globo, vivendo por alguns dias outra realidade, sem grandes programações, deixando-nos guiar pelo imediato, longe do monótono dia-a-dia das nossas vidas, acredito que nos possa transmitir essa sensação de viajar, de usufruir de outros lugares, de outros “sentires”. Diferente de andar aos saltos de um sítio para o outro, a colocar o visto nos locais por onde se passa, enganando-nos a nós próprios, dizendo que assim somos mais cultos, mais “viajados”, só porque há dias estivemos de manhã em Oslo, à tarde em Edimburgo e no dia seguinte em Marselha.
De uma maneira ou de outra a COVID veio atrapalhar tudo. Vamos ver o que o futuro próximo nos trás.
Quinteiro