Avançar para o conteúdo principal

 Aquilino Ribeiro ROMANCES COMPLETOS

Mónica

Circulo Leitores


«Ajudada por Fräulein, Mónica enfeitava a mesa, compondo a toda a volta, sobre a neve deslumbrante da toalha, uma grinalda de balsamina e de isabel -entre-sonhos, ordenando as dálias na floreira de modo a detonarem em suas meias-tintas, deixando por cima do trinchante e dos aparadores uma ou outra rosa debruçada dos solitários. Vira assim num almoço dos Alvarengas. Mais cravos no chemin de table, um toque aos guardanapos dispostos em harmónica, outro aos copos de cores diversas e tamanho decrescente como flauta de Pà, e eis a seu termo, com pressurosa antecipação, o aparato do jantar.>>

Monica


Terminada a leitura deste romance, fiquei absorvida por esta 'história', como uma ligação de um passado na realidade de hoje. A nossa 'liberdade' de escolha, de amar e de viver na sociedade que nos guia, e nos leva a desígnios nem sempre os ideais. No fundo, o tema do romance é ainda actual; nem sempre acaba como neste romance, mas sim de uma forma bárbara e cruel! Isto não quer dizer que nesses tempos não houvesse a mesma crueldade, uma mais comum, era fecharem as filham em conventos, manicómios ou casá-las à força! Quantas vidas destroçadas... Um absurdo hoje em dia!           O casal Ruas, apesar da boa educação que deram à sua filha Mónica, contractando a perceptora Alemã, para que ela estivesse à altura de qualquer 'menina' da alta sociedade! Estes, com o compadre Basílio, já tinham arranjado casamento entre os filhos; ou seja Mónica e Vítor. A pequena fortuna dos Ruas, era cobiçada, sem que estes se apercebessem disso.                                                                                   Entre Ricardo Tavarede e Mónica, nasce um 'amor' aquando do reencontro em Paris, onde a família 'Ruas', se encontrava para um desanuviar da mente, da sua jovem filha, Mónica, que padecia de uma 'doença', a que eu diria, um estado de alma que se busca e não encontra o desejado, para poder continuar a viver, num tempo em que a mulher não era compreendida por seus anseios, desejos, mesmo parecendo, futilidades. Os dois, encontram um no outro, apesar da diferença de idades, uma sintonia que os complecta! O regresso a Portugal, a saída de casa de Mónica, correndo para os braços de Ricardo, levam os pais de Mónica, a uma revolta e queixa por rapto da filha, ainda menor!                       O regresso a casa de Mónica, o casamento e manipulação da família sobre Mónica, pesa muito a Ricardo, que se vê afastado da jovem esposa,  e o quanto é feito para que cada um leve uma vida diferente! Acaba em bem, pois Ricardo tem o seu amigo, Alvarenga e sua esposa, que o aconselham, a chegar a bom porto!                                                                                                                                       

Cecília Pedro                                                                                                                                                         

Comentários

Desconheço o texto trazido pela Cecília mas o Aquilino é um dos autores que leio quando me apetece o português que aprendi na escola. A julgar pela narrativa da Cecília, a história parece remeter par um certo romantismo tardio que aparece em muitas páginas do Aquilino. Em muitos detalhes a fazer lembrar o frágil Júlio Diniz. Por mim prefiro a escrita mais pedregosa de "Terras do Demo" ou "Quando os Lobos Uivam".

nelson anjos

Mensagens populares deste blogue

  Os professores portugueses não sabem ensinar Ricardo Araújo Pereira Expresso – 20 janeiro 2023     Enquanto professora não tenho outro remédio senão concordar com as sábias palavras do Ricardo Araújo Pereira. Assim, o que aqui se propõe é o documento MUSAI – Medidas Universais de Suporte à Aprendizagem e Inclusão, para o aluno João Costa. Peca por tardio, mas, uma vez que nos dias que correm, é praticamente impossível reter alunos (vulgo «chumbar»), consideremos que este aluno se encontra ao nível de um primeiro ciclo do ensino básico. Segue-se o documento:   Rita Anjos           Ano Letivo 2022 / 2023 Monitorização e Avaliação da eficácia das MEDIDAS UNIVERSAIS DE SUPORTE À APRENDIZAGEM E INCLUSÃO - MUSAI (Artigo 20.º do Decreto-lei n.º 54/2018, de 6 de julho)   Nome ...
  Prosperidade Sem Crescimento   “(…) A sociedade defronta-se com um dilema profundo. Resistir ao crescimento é arriscar o colapso económico e social. Persegui-lo incessantemente é pôr em perigo os ecossistemas de que depende a nossa sobrevivência a longo prazo. (…)”        Começa assim o capítulo XII do livro de Tim Jackson, Prosperidade Sem Crescimento – Economia Para um Planeta Finito .        Um New Deal Verde – uma réplica do programa gizado para fazer face à Grande Depressão dos anos 30, do século passado, baseado nos princípios defendidos por Keynes, agora pintados de verde – foi o coelho que ocorreu aos economistas tirar da cartola para fazer face à crise de 2008. Mas desde logo a contradição foi evidente: o crescimento verde … não é verde. Porque continua a ser um modelo de economia assente no crescimento ilimitado, para vigorar num espaço limitado: o planeta Terra.      ...
  Regresso a Eduardo Lourenço        Quando não me parece esperável o tal rasgo de génio nalgum dos tais “10 Melhores Livros do Ano”, todos os anos anunciados pelas editoras mediadas pela última palavra dos “críticos literários”, que justifique o seu custo, mas principalmente o tempo exigido para a sua leitura, refugio-me nos de sempre: Eça, Camilo, Aquilino.        O exaurido discurso dos líderes partidários, em campanha, leva-me a atitude idêntica. E fui uma vez mais desembocar em Eduardo Lourenço, para intervalar a leitura de Uma Teoria da Democracia Complexa de Daniel Innerarity. Que desde já recomendo. “ (…) Sejamos lúcidos: a campanha presidencial passada, por mais curta que seja a nossa memória cívica, se alguma coisa demonstrou foi que não havia, nem há, nenhuma Esquerda em Portugal que possa ser sujeito de um projeto político, económico e social com aquele mínimo de coerência e de credibilidade capaz de enc...