Elogio da Bicicleta
Estou em crer que, pelo menos isto, e
pelo menos o PCP – ou algum dos seus setores – ainda não o terá esquecido. E tenta
nesta altura – não sei se a melhor ou sequer ainda a tempo – desatolar-se do
pântano social-democrata-liberal onde, na minha opinião vem chafurdando há já tempo
demasiado. Alianças ou acordos de conjuntura não têm que implicar a anulação –
ou sequer esbater – as identidades dos parceiros e suspender as demais atividades
que lhes dão forma. Refiro-me a PCP e BE. E pode-se sempre dizer NÃO, mesmo sem
saber ainda com clareza a que dizer SIM.
No quadro social atual, que pode
sintetizar-se em “sistema”, direita e “esquerda vazia”, valha-nos, na ausência
de esquerda efetiva, a bicicleta. Como se sabe, as revoluções tecnológicas sempre
constituíram um elemento determinante do suporte que permitiu as revoluções
sociais. Há muito que, nalguns dos países mais evoluídos, já não é o número de
automóveis um indicador de desenvolvimento humano: é a bicicleta. No tope 5
estão, segundo números recentes, respetivamente a Holanda, a Dinamarca, a
Alemanha, a Suécia e a Noruega. Por cá, o provinciano automóvel continua a ser
o rei da festa (se for Mercedes ou BM, melhor!).
O Elogio
da Bicicleta, de Marc Augé, tem poucas páginas que se leem de um fôlego, e termina
afirmando: O ciclismo é um humanismo. Ou, páginas antes: “Ciclistas
de todas as nações, uni-vos!”. De Mercedes não chegaremos a tempo:
os Mercedes são lentos.
nelson anjos
Comentários