Na Autobiografia José entrança-se
com José Saramago em tempos diferentes mas, apesar desse detalhe, simultâneos;
José faz-se autor do livro que algum personagem lê no desenrolar da ação; José
faz-se confidente do leitor deste romance, entra no pensamento, nas memórias,
lembra-nos nomes...
...lembro-me do professor Ruben
Fonseca explicar o que é metacognição. Lembrei-me disto e ocorreu-me que este
romence seria um exercício de metaliteratura. Não o disse a ninguém, mas é.
Este envolvimento de personagens com o escritor e com o leitor e com o tempo a
fazer de detalhe e a ser desrespeitado é, sem dúvida nenhuma, um excelente
exemplo de metaliteratura. Não sei sequer se a palavra existe, mas
Autobiografia é isso...
Um capítulo mais à frente José
senta-se com Saramago e conversam sobre o livro que estamos a ler e definem
este diálogo como metaliteratura. Todas as coisas que eu pensei ficaram muito
pequeninas e inúteis à luz desta conversa entre dois gigantes. Por isso a
citação, desta feita, vem no fim. Um excelente exemplo de metaliteratura.
Então, somos a mesma pessoa?
Pensei que já estavamos de acordo.
Mas essa noção contraria as leis elementares da física, espaço e tempo.
Se veio para a literatura à procura de ciência, está no lugar errado.
Sou diferente de quem era, mas sou a mesma pessoa. A situação é igual. José,
Saramago, achava que o encadeamento dos nossos nomes era coincidência?
Sim, mas há um problemas.
Há muito mais do que um problema. Ou pareceu-lhe que o nó do capítulo
20, este diálogo, chegava para resolver todas as explicações em falta?
Liberte-se da obrigação que impôs a si próprio. Olhe para o mundo, está em toda
a parte. O mundo não sente obrigação de explicar-se quem precisa de explicações
que as procure.
Sim, mas há um problema.
Rita Anjos
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