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PÓS-CAPITALISMO

 A democracia apenas o é enquanto for um processo em construção. São-no por isso muito pouco – ou já nem sequer o são – as assembleias dos parlamentos há muito adormecidas, sobre um colchão – ou será caixão ? – de formalidades burocráticas e salamaleques sabidos de cor, por funcionários que há muito deixaram de ser militantes. E estas assembleias tanto podem ser as dos parlamentos da “democracia”, dos “marxistas” ou dos “cristãos”.

Acontece que este fenómeno, que é a erosão da quietude, se estende a um universo vasto de questões, no limite, a realidade ela própria. Em letra de poesia, “…tudo é feito de mudança, ganhando sempre novas qualidades”. Ou na voz da plebe: “parar é morrer”.

Abreviando, é por estas e por outras que tenho para mim que, a “democracia” dos “democratas”, o “cristianismo” dos “cristãos” ou o “marxismo” dos “marxistas” não passam hoje de múmias petrificadas suscetíveis de interessar apenas a estudiosos de arqueologia social. Sem prejuízo do que fica dito, deste substrato emanam contudo saberes e referências culturais que, para quem as souber ler, apenas por arrogância intelectual podem ser menosprezadas.

Por tudo isto que me interroguei quando, em entrevista recente – julgo que ao Expresso – a líder do Bloco de Esquerda se reclamou de marxista. Que quis concretamente dizer Catarina Martins?

O pensamento vivo de Paul Mason interpela toda a casta acéfala de burocratas alapados nas mais diversas ideologias (se não for o caso da líder do BE pode ler na mesma). Deixo como sugestão de leitura PÓS-CAPITALISMO.

nelson anjos


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