Poesia: dos livros, às vozes, aos
tomates
Tenho escrito neste espaço sobre
livros que tenho lido, mas, uma vez que tenho a sorte de possuir mais do que
olhos, o mundo entra pelos sete buracos da minha cabeça. Sinto a obrigação (ou
necessidade compulsiva) de escrever qualquer coisa sobre as coisas que brotam
da rádio.
Provavelmente será só e apenas
impressão minha (assim espero), mas que saudades de ouvir vozes poderosas a
cantar músicas inspiradoras com poemas frutos de momentos inspirados de seus
poetas. Só me têm chegado às orelhas dessas vozinhas de meninas virgenzinhas
(de anteontem) a cantar sobre:
“o teu coração
Deixou o meu coração,
Entregue à solidão,
Nas asas do avião”
É sempre urgente possuir tomates.
Agora, mais do que nunca.
Não invalido os poemas e as
cantigas de amor, nunca desistirei de ouvir a Amália (com a voz carregada de
tomates...), a Elis (...outra), nos poemas do Ary ou do Vinícius. Por estes
dias cada macaco havia de subir ao seu galho e hastear a sua bandeira da
indignação e fazer valer o que faz de melhor: “chorai, chorai, poetas do meu
país” e quanto aos cantores: cantai, cantai.
À minha volta observo todo o tipo
de voluntariado: angariação de bens, entrega dos mesmos, acolhimento de
refugiados, apoio psicológico, aulas de português e inglês a adultos e
crianças... cada um tem a obrigação de envergar as suas armas e lutar. Por isso
não entendo as cantigas do meu coração e o teu coração e a solidão e o ...
Há já um tempo o rapper Valete
disse no seu “Rap Consciente”:
“Bué sons de brisas e primaveras
Até curto sons de amor mas bro tu exageras
Com jeitinho faz beicinho, exibe autoestima
E acaba esse videoclipe com um beijinho na
menina
(...)
Mas estou de volta, para dar a
reviravolta
De volta ao rap de revolta, pronto para qualquer
embate
Não há empates, de volta ao rap com tomates
Não há derrotas, de volta ao rap de combate”
À época
o assunto era outro e, por isso, não transcrevo aqui a letra toda, mas fico na
expectativa da cantiga de revolta, da pena dos poetas, das vozes poderosas e
conscientes que entrem nesta frente pela humanidade, pela Ucrânia e o povo
Ucraniano.
E como
canta o Sérgin Motta no refrão deste rap
“Se é pra morrer, morremos de pé”.
Rita
Anjos
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