Trabalhadores do Sexo Uni-vos!
(“Proletários de todos os países, uni-vos!” é o célebre
apelo deixado por Marx e Engels no seu Manifesto Comunista de 1848)
De uma
forma ousada a antropóloga Ana Lopes expõe neste livro o seu pensamento acerca
das atividades ligadas ao sexo, prosseguindo alguma forma de interesse
económico. Área de atividade em tudo semelhante a qualquer outra com o mesmo
objetivo central, onde o mal não está na atividade em si mesma mas na ausência
de um quadro que regule o seu exercício, proteja e confira aos seus
profissionais a mesma dignidade, em vez do estigma social a que se encontra
sujeita.
Não
pretendendo diminuir em valor a coragem da proposta, ou ver nela a razão para
alguma conclusão precipitada, preferiria contudo prescindir de algum respaldo
que a autora força em terceiros, para acrescentar legitimidade ao seu
pensamento. Por exemplo, não tenho a certeza de que não seja abusiva a conclusão:
“(…)
Defendo que, na realidade, Marx, Engels e Kollontai sugeriram a possibilidade
de considerar a prostituição como mais um trabalho, posição que eu partilho.”
(p. 179)
“(…)
Se o trabalho do “chulo” é imoral também o é o de qualquer patrão dentro deste
sistema económico.” (p.114)
“(…)
Quando terminar de ler esta obra, espero encontrar em si, leitor, mais um
aliado/a do movimento em defesa dos profissionais do sexo. Porque os
profissionais do sexo não querem ser salvos, por muito que isso lhe custe.
Querem direitos laborais e cívicos. Querem o fim da estigmatização do seu
trabalho. Querem dignidade e respeito.” (p. 22)
“(…)
aqueles que são designados como “informantes” noutros tipos de investigação
devem, na verdade, participar diretamente no processo da investigação” (p. 235)
(…)
A inclusão dos profissionais do sexo, de todos os géneros, como participantes, em
vez de informantes passivos, foi um aspeto que fez deste trabalho um projeto
inovador e de um valor ético essencial” (p. 254)
Sem preocupação em usar luva, branca ou de qualquer outra cor, o livro de Ana Lopes é uma chapada na cara hipócrita e pindérica da nossa sociedadezinha beata.
nelson
anjos
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