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 Hoje, como outros dias e momentos, surgem na mente todos os idosos espalhados pelos lares de Portugal e não só. Fazer comparações? Só quem tenha trabalhado fora do país nos mesmos e tendo regressado a casa, ou seja Portugal, tenha continuado a exercer as mesmas funções. Assim poderá opinar sobre a complexidade desta matéria: os idosos! Já não basta serem empurrados para o confinamento entre quatro paredes, chega o confinamento de uma pandemia chamada covid-19, que os condiciona a uma existência sem 'vida', sem alternativa para outras saídas. As famílias, em geral, já não têm tempo para deles cuidar; cansados por um dia de trabalho, a correria para ir buscar os filhos à escola ou a outras actividades, seguido de outros afazeres domésticos, já não tem paciência ou disposição para cuidar dos seus idosos. No entanto, ainda há quem tenha essa responsabilidade, e custe o que custar, cuidam dos mesmos. Estaremos a ser egoístas?  Estamos a afastar do nosso convívio pessoas com sabedoria e experiência. Avós que poderiam partilhar belos momentos com os netos, sobrinhos e mesmo outras crianças. Ficamos com a ideia que as rugas, o estar mais lento no raciocínio e outras sequelas da idade, mostram a degradação do nosso corpo físico e por vezes mental; o que parece não ser compatível com a sociedade de hoje, onde todos têm de ser: Elegantes, Bonitos e Jovens! Não podemos esquecer, que foram eles o berço de novas gerações. E os que hoje os colocam de parte, também chegarão a essa condição. Condição essa que chega a toda Humanidade. Todos eles merecem o nosso respeito! Um Bem-haja a todos os contribuíram com a luta pela igualdade social, para a democracia e para o mundo que conhecemos hoje, mesmo não sendo perfeita...


Cecília Pedro                                                                                                                                                   

Comentários

Pedro Mendes disse…
Cecília, é uma análise bem realista. Do ponto de vista ético, estamos a falar da distanásia de pessoas, condenadas a morrer nas residências ou lares, transformadas(os) em jazigos para vivos.
Nelson Anjos disse…
Leituras de Salto Alto foi criado como um clube de leitores destinado ao debate das leituras de cada um. Entendidas no seu sentido convencional: livros, jornais, revistas e até paredes. A Cecília resolveu ampliar este âmbito e propõe leituras não mediatizadas. Ou seja, leituras diretas sobre a própria realidade. Porque não? - Recordo um ou dois amigos, a quem dificilmente associo jornais ou livros - com excepção dos escolares - e que eram exímios a ler diretamente sobre a própria realidade
Rita Anjos disse…
Um clube que sobe aos saltos para ler letras, desenhos, realidades e até ler nos olhos algumas coisas que ninguém sabe escrever. Que honra fazer parte!
Obrigada Cecília.
marilia Pinho disse…
Nesta relexão da Cecília gostaria de acrescentar um ponto: muitas vezes as famílias sofrem também por não terem condições para tratar dos seus idosos...
E como somos um clube de leitura, aproveito para lembrar uma obra, para mim sublime, do Walter Hugo Mãe: " A máquina da fazer espanhóis": a história de um idoso que vai parar a um asilo. Mas não é só a história desse idoso, é também a história de um país, o nosso país,
Peço desculpa, mas nesse dia o assunto estava a trabalhar na mente, fazendo com que o trouxesse à tona.. .
Boa tarde Rita! Agradeço o teu comentário. Existem assuntos que nos revoltam, ou nos tocam; é bom falar dos mesmos. Obrigada.
Boa tarde Marília! Essa é mais uma realidade. Existem casos que não dá mesmo. Os apoios nem sempre são suficientes. A próxima será virada para a leitura...

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