(…) Tal problema é o da difusão da cultura musical no povo. Dizemos cultura musical no povo e não cultura musical popular , porque é nessa distinção que reside, precisamente, o nó da questão. O que vulgarmente se chama a cultura popular não pode, evidentemente, consistir num abaixamento da cultura ao nível do povo, mas no levantamento deste às alturas daquela. Tratando-se de cultura musical, os fundamentos de uma séria política desta arte devem consistir não em servir ao povo exclusivamente aquilo que ele está de há muito habituado a ouvir, e que nem sempre é do melhor, mas em esforçarmo-nos por o trazermos ao conhecimento e à aceitação do muito que ele não conhece e do melhor que o engenho humano tem criado. (…) Fernando Lopes-Graça, 20/4/1940, Talia, Euterpe e Terpsicore Assim pensava Lopes-Graça há 80 anos. Aliás, o próprio operacionalizou, durante a sua vida, um enriquecimento da cultura verdadeiramente popular, com todo o trabalho de arranjo, orquestr...