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Mensagens

        O meu bom perfil   Tô, alô… sim, bom dia. Pois é, eu vi à porta da escola da miúda uns desgraçados aos berros e até deu nas notícias, mas sabe, eu não ligo muito a política. Ai eram professores? É que não pareciam nada… Pois é, o que eu sei é que querem que os professores sejam escolhidos pela Câmara, não é? Então, se as escolas já pertencem às Câmaras, é normal que os professores também sejam, ao menos ficam todos entregues ao mesmo. Cá pra mim não faz diferença nenhuma, mesmo que eu fosse professora, não me importava nada. É que eu tenho uma vizinha que é prima de um rapaz que está lá na Câmara a trabalhar, é daqueles que tirou mesmo o curso da universidade e depois prontos, já se vê, né? Ele conhecia a madrinha de uma miúda que também é lá secretária não sei de quem, e foi também, ela meteu-o lá. Por isso, para mim, até era fácil. Rita Anjos
  Mensagem de Natal (Habituem-se)   Habituem-se ao partido único – lembram-se da antiga UN (União Nacional) (1) ? Quando o(s) Chega(s) chegar(em), já não custa tanto. Habituem-se à corrupção Habituem-se ao ordenado mínimo nacional Habituem-se à ignorância – depois de nunca terem lido um jornal ou um livro, para além dos manuais escolares, será fácil. O dinheiro não chega para tudo e a ignorância é um direito. Habituem-se a mendigar um emprego para o filho e o afilhado – como nos bons velhos tempos e … nos tempos atuais. Habituem-se os pobres aos novos MNF (Movimento Nacional Feminino) (2) – bons tempos! bons tempos esses … (Que tal os 240.00 euritos, hem?) Habituem-se à desigualdade – sempre foi assim; é própria da natureza humana. Habituem-se ao 25 de Abril – o passado. Que o futuro pode sempre esconder o risco de excessos. Cuidado com os excessos. Habituem-se às promessas – de liberdade, igualdade e fraternidade (3) . Mas, principalmente, certifiquem-s...
  A Metamorfose do Mundo        Ulrich Beck, autor de A Metamorfose do Mundo – Como as alterações climáticas estão a transformar a sociedade , foi acometido de morte súbita – ataque cardíaco – em 2015, quando trabalhava no seu livro. A que a sua companheira e colaboradora deu a forma final com que chegou ao público leitor.        Para Beck, a metamorfose do mundo – o tempo que nos é dado viver – é uma malha de múltiplas metamorfoses que se verificam em todos os domínios da existência, sem plano prévio e sem estratégia: “(…) A metamorfose do mundo é uma coisa que acontece; não é um programa. A “metamorfose do mundo” é uma expressão descritiva e não normativa. (…) Não é intencional, programática e ideológica, e não é travada, mas, ao invés, impelida pela inação política. Não emerge dos centros da política democraticamente legitimada, mas decorre – como um “efeito secundário” social e juridicamente construído – dos cá...
  Prosperidade Sem Crescimento   “(…) A sociedade defronta-se com um dilema profundo. Resistir ao crescimento é arriscar o colapso económico e social. Persegui-lo incessantemente é pôr em perigo os ecossistemas de que depende a nossa sobrevivência a longo prazo. (…)”        Começa assim o capítulo XII do livro de Tim Jackson, Prosperidade Sem Crescimento – Economia Para um Planeta Finito .        Um New Deal Verde – uma réplica do programa gizado para fazer face à Grande Depressão dos anos 30, do século passado, baseado nos princípios defendidos por Keynes, agora pintados de verde – foi o coelho que ocorreu aos economistas tirar da cartola para fazer face à crise de 2008. Mas desde logo a contradição foi evidente: o crescimento verde … não é verde. Porque continua a ser um modelo de economia assente no crescimento ilimitado, para vigorar num espaço limitado: o planeta Terra.      ...
  Por Razões de Agenda               Vale a pena voltar à Breve História do Progresso . Razões de agenda assim o recomendam. Que é como quem diz: razões de urgência. Hoje, tudo acontece mais depressa. Fazer crescer a população do planeta em 200 milhões, depois de Roma, levou 13 séculos; o crescimento dos últimos 200 milhões levou apenas três anos – lembra Ronald Wright. Suméria, Ilha de Páscoa, Roma e os Maias, com o ritmo de destruição dos recursos naturais de que dispunham, e as técnicas que dominavam, duraram mil anos cada. Mantendo o modelo de vida que levamos, num mundo caracterizado pela incerteza, há uma certeza que podemos ter: não chegaremos aos mil anos de existência pós-revolução industrial.         Em matéria de agenda, lembrava o autor em 2004: “(…) Há 12 anos, mesmo antes da cimeira ambiental do Rio de Janeiro, que levou au acordo de Kioto sobre as mudanças climáticas, ma...
  Escola da Rua                   A escola é – ou deveria ser – antes de mais uma manifestação em permanência contra a ignorância. Desde logo com “sala de aulas” na rua que, como se sabe, é local frequentado por muitas pessoas. Daí que seja de saudar a iniciativa dos jovens estudantes que, nos últimos dias, num verdadeiro exemplo de ensino universal gratuito para toda a população, se manifestaram das mais diversas formas contra a continuação do uso de combustíveis fósseis. Que, como se sabe, se encontra há muito identificado, sem que reste hoje margem para dúvidas, como o mais significativo contributo, decorrente da ação humana, para as alterações climáticas. Considero pois falsas as notícias que se leram e ouviram sobre a suposta gravidade das faltas dos jovens às aulas, a propósito das referidas manifestações: afinal, estiveram apenas ocupados a dar aulas de cidadania à população, tarefa da qual, a meu v...
  A Espuma da Democracia                  Numa das suas últimas habituais crónicas de sábado, no jornal Público (Público, 5 de Novembro de 2022) , José Pacheco Pereira (JPP) ocupa-se, em linha com o que se tem vindo a desenhar como sensibilidade dominante, com os riscos com que de forma cada vez mais evidente as democracia se confrontam nos tempos que correm. A palavra de JPP tem, juntamente com poucas outras, em regra, o condão de me surpreender, sempre pela lucidez, a que umas vezes se acrescenta a surpresa e outras o algo de novo que me ensina ou leva a descobrir. Não foi o caso e estranho. Admito desde logo, sem falsa modéstia ou ironia, limitações de leitor.         Não há discordância relativamente ao que é dito. Apenas a sensação de já ter lido aquilo algures, escrito pelo autor, por outros, em jornais, revistas ou nos livros que ultimamente têm vindo a ser escritos sobr...